Os filhos têm um amor imenso pelos pais. Muito grande. Com esse amor existe uma ligação, um vínculo que, com a mãe, começa no momento da concepção. Com o pai, começa na gravidez e continua após o parto.
Esse amor gera uma relação em que os filhos começam a perceber os pais. Essa percepção vai além do que os pais mostram: eles conseguem captar o ânimo dos pais. Por exemplo, se estão tristes. A tristeza é uma emoção que gera um padrão de isolamento. Às vezes, a pessoa nem percebe que se distancia das relações. Sai da presença. Mesmo fisicamente presente, está recolhida.
Tudo isso é captado pelos filhos. Eles sentem o vazio e, mesmo inconscientemente, percebem um risco na relação. Então começam a ter atitudes para preencher esse vazio, para chamar a atenção dos pais. Em alguns casos, querem salvar os pais daquelas emoções. É o momento em que começa um emaranhamento. Sem perceber, a criança se esforça para trazer alegria, para ser boa o suficiente. E há casos em que essa criança começa a puxar a sensação de tristeza para si, porque passa a olhar para onde está o amor dos pais.
Qual é a solução?
Crescermos como pais. Termos coragem de olhar para nossas dores e aprendermos a sustentar a alegria dentro de nós. Sustentarmos a alegria e o amor, e transmiti-los aos nossos filhos. Assim, eles ficam livres para crescer e encontrar a alegria que faz crescer, a alegria que libera movimentos para além dos emaranhamentos e nós familiares. Nossos filhos liberados estão felizes, e nós ficamos ainda mais felizes, criando um ciclo virtuoso de crescimento e iluminação da família.
Texto de Mateus Santos — junho de 2023

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