Categoria: Constelação Familiar

Artigos sobre princípios, práticas e aplicações da Constelação Familiar.

  • A Intranquilidade

    A Intranquilidade

    ” A Intranquilidade procura algo. Ela nos assalta porque precisamos de algo ou porque algo nos falta. Quando sabemos daquilo que precisamos ou nos falta, então começamos a buscá-lo para alcançá-lo.
    Entretanto, muitas vezes a intranquilidade é indefinida. Sentimos que algo nos falta, mas não sabemos o que poderia ser. Ou sentimos que algo deveria ser feito, algo que nos chama, algo que devemos fazer, mas não reconhecemos o que seja e por isso ficamos inquietos.
    Ou sentimos que nos enganamos e escolhemos o caminho errado. Procuramos uma nova orientação e ficamos inquietos, até que tenhamos encontrado a saída e soubermos novamente qual é a direção. No caminho certo temos uma tranquilidade interna, mesmo que estejamos em movimento para completarmos nossa tarefa. Pois ficamos em paz quando estamos em sintonia com nossa vida, não importando para onde ela nos conduz.
    Existe uma frase famosa de Agostinho: “Intranquilo está nosso coração até que descansa em você.” Aqui ele fala da intranquilidade do coração até que descansa no seu destino final, Deus. Também podemos dizer: nosso coração procura até alcançar a nossa mais íntima harmonia com as pessoas que estão próximas a nós, com nosso início e fim, com a vida e a morte. Talvez o divino, o último mistério que não podemos apalpar ou entender, esteja contido na total concordância com nossa vida.”

    Bert Hellinger – Pensamentos sobre Deus.

  • Crescendo como pais

    Crescendo como pais

    Os filhos têm um amor imenso pelos pais. Muito grande. Com esse amor existe uma ligação, um vínculo que, com a mãe, começa no momento da concepção. Com o pai, começa na gravidez e continua após o parto.

    Esse amor gera uma relação em que os filhos começam a perceber os pais. Essa percepção vai além do que os pais mostram: eles conseguem captar o ânimo dos pais. Por exemplo, se estão tristes. A tristeza é uma emoção que gera um padrão de isolamento. Às vezes, a pessoa nem percebe que se distancia das relações. Sai da presença. Mesmo fisicamente presente, está recolhida.

    Tudo isso é captado pelos filhos. Eles sentem o vazio e, mesmo inconscientemente, percebem um risco na relação. Então começam a ter atitudes para preencher esse vazio, para chamar a atenção dos pais. Em alguns casos, querem salvar os pais daquelas emoções. É o momento em que começa um emaranhamento. Sem perceber, a criança se esforça para trazer alegria, para ser boa o suficiente. E há casos em que essa criança começa a puxar a sensação de tristeza para si, porque passa a olhar para onde está o amor dos pais.

    Qual é a solução?

    Crescermos como pais. Termos coragem de olhar para nossas dores e aprendermos a sustentar a alegria dentro de nós. Sustentarmos a alegria e o amor, e transmiti-los aos nossos filhos. Assim, eles ficam livres para crescer e encontrar a alegria que faz crescer, a alegria que libera movimentos para além dos emaranhamentos e nós familiares. Nossos filhos liberados estão felizes, e nós ficamos ainda mais felizes, criando um ciclo virtuoso de crescimento e iluminação da família.

    Texto de Mateus Santos — junho de 2023